sábado, 1 de dezembro de 2007


Há um sorriso nos teus lábios quando surges.
Há um beijo escondido no olhar.
Um entrave no destino
Dois caminhos, um caminho?
Um desejo disfarçado no andar.

E arrasto-me no chão, pecadora
Por temer querer-te e sejas deus
E um sorriso teu que mata
Um lágrima como faca
Que brota miserável em olhos meus.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007


Sou uma pessoa sentimentalista por natureza... nos seus pontos bons e nos seus pontos maus... há momentos em que gostava de conseguir por uma pedra em cima de certos assuntos e esquecer-me completamente da importância que têm para mim, ou por outro lado conseguir dizer tudo o que me vai na alma sem me preocupar minimamente com as consequências... com as saudades...

Dou o que de melhor tenho e deixo transparecer o meu pior com uma facilidade angustiante. Sou uma pessoa fechada mas transparente e só não vê quem nao quer. Por vezes tão transparente que acho que se consegue ver através de mim sem me verem...

Sou selvagem quando me sinto presa, quando me sinto magoada... não tenho força, não ataco verbalmente, mas sei perfeitamente o que dizer, quando dizer e como dizer para magoar ao máximo. A maioria das vezes não penso antes de dizer. As palavras saem muito antes de me aperceber da sua força, mas a intenção está lá... magoar, defender-me...

Não sei dizer não a ninguem... Dou tudo o que posso para ajudar quem me pede ajuda. Enganam-me muito facilmente se me conquistaram e me cegam... Se bem que normalmente sou boa a tirar impressões relativamente ao caracter de alguem.

Tenho medo de mim apaixonada...
Tenho medo de perder as minhas convicções em prol dos outros.
Tenho medo de me esquecer que existo e que mereço ser respeitada.

(sinto-me um pouco egocentrica hoje...)

domingo, 28 de outubro de 2007

Conselho!

A forma mais rapida de perder a concentração e o interesse em algo que tem um prazo curto de entrega: discutir de forma um pouco louca e sem sentido com alguem extremamente importante.

(hoje nem o pânico de última hora me salva)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007


Falava à pouco tempo (questão de minutos mesmo) com uma amiga minha acerca do que somos ou não capazes de mudar ou de nos fazer mudar numa relação.
Ela dizia: Ele deixa de ser nostalgico... Uma relação mudá-lo-à...
Chamei-a de ingénua (é incrivelmente ingénua).
É o problema de muitas relações... a certeza ou a esperança que os defeitos se mudem... que se mantenham apenas as coisas boas... todas as qualidades...
Quem gosta não fica cego aos defeito, continua a odiar aqueles aspectos da personalidade que tornam certos momentos menos bons... e isso não muda com o tempo, não muda com o nome "relação". Quem gosta apenas não os considera importantes o suficiente para por tudo em causa, ficam apagados, mais distantes perto de um sorriso. E quando aquele sorriso consegue apagar todas as feridas, todos os defeitos, então não é preciso mudar nada, não é preciso nome nenhum...


( Oferece-me um sorriso... )

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Começou...



... o trabalho. E na realidade também as minhas férias. Não me importo de forma alguma sacrificar algumas pestanas, alguns quantos neurónios em prol do tempo que passo com os amigos. Na realidade sabe bastante bem.
Trata-se também do meu futuro e ter consciência disso é uma sensação devastadora... O peso da responsabilidade.
Eu não sei onde estarei daqui a quatro anos. Desenho mil e um futuros à minha frente, mas não sei ao certo que portas abrirei... que janelas se me apresentarão. Mas gosto de onde estou agora, gosto do que vejo em mim, nos outros... Espero que isso não mude tão cedo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007


( Consegui encontrar vários principes encantados debaixo da pele dos Monstros. Infelizmente, mais foram as vezes em que não havia nada para encontrar. )




*Socumbi à nostalgia do filme que me acompanhou toda a infancia.
Estou a precisar de acreditar nos contos de fadas. Não há finais felizes sem as bruxas e maus da fita a meio da história.

domingo, 19 de agosto de 2007



"We all have a weakness
But some of ours are easy to identify. Look me in the eye,
and ask for forgiveness.
We'll make a pact to never speak that word again.
Yes, you are my friend.
We all have something that digs at us,
at least we dig each other.

So when weakness turns my ego up
I know you'll count on the me from yesterday.

If I turn into another
dig me up from under what is covering
the better part of me.
Sing this song
remind me that we'll always have each other
when everything else is gone.

We all have a sickness
that cleverly attaches and multiplies
No matter how we try.
We all have someone that digs at us,
at least we dig each other.

So when sickness turns my ego up
I know you'll act as a clever medicine.
If I turn into another,
dig me up from under what is covering
The better part of me.
Sing this song!
Remind me that we'll always have each other
when everything else is gone.
Oh, each other when everything else is gone.

ooooh....
(7x)

If I turn into another
dig me up from under what is covering
the better part of me.
Sing this song
remind me that we'll always have each other
when everything else is gone.

Oh, each other when everything else is gone. (x2)"

Incubus - Dig

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Thanks... God?!


Não sou uma pessoa religiosa, mas quando me acontecem situações como esta eu começo a acreditar que devo ter um anjinho da guarda extremamente sarcastico a olhar por mim!

Numa situação incrivelmente desesperante, onde muitos dos meus medos se poderiam tornar reais, acontece que um simples lanço de escadas não subido me salva basicamente a vidinha habitual!

Não sei a quem devo agradecer, mas muito obrigada :D

quarta-feira, 27 de junho de 2007

A honestidade já deu o que deu...


Quando é que vou aprender a mentir? É que mais vale, quando a verdade ofende.

sexta-feira, 15 de junho de 2007


Ultimatum

"Há uma distância ínfima
Entre o teu sexo e o meu.
Há uma palavra não dita
Entre o teu sexo e o meu.
Há o contacto adiado
O desejo simulado
As carícias indistintas
E a voz que a nada soa
E do corpo não ecoa
O querer e a vontade.
Há um ténue véu tecido
Entre o teu sexo e o meu.
Há um segredo escondido
Entre o teu sexo e o meu.
Há o grito reprimido
O prazer não consumado
O intuito definido
Num secreto esconderijo
Entre as coxas que se calam.

Há um encontro marcado
Entre o teu sexo e o meu."


Encandescente



(Não resisti, este é um poema de uma grande poeta que descubri na net, este poema em especial tem um ritmo, uma força incrivel.
Para ler mais alguns poemas aqui fica o link.
http://eroticidades.blogspot.com/ )


Miau!

quinta-feira, 14 de junho de 2007


"Tenho um corvo à flor da pele
Vive de uma ferida aberta
Acorda quando me deito
Levanta voo do meu peito
Sempre, sempre à hora certa

Passa por aquela casa
Onde resta uma roseira
Dá contigo junto ao mar
Beija-te sem te acordar
Depois fica a noite inteira

Entra pela minha vida
Como a lua no jardim
Pendura tudo o que valha
No gume de uma navalha
Traz-me pedaços de mim

Tenho um corvo à flor da pele
Um irmão da minha idade
Acorda quando me deito
Levanta voo do meu peito
Diz que se chama Saudade."

João Monge

terça-feira, 12 de junho de 2007

Porque o gostar...


.... exprime-se com gestos.




Soneto De Amor

"Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma...Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce! "


José Régio

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Cortejo



Foi sem dúvida um momento memorável... o meu primeiro cortejo académico da universidade do Porto. :) Pertenço com muito orgulho ao enorme grupo azul ciências (azul bébé para os leigos) que gritou bem alto os elogios à vida universidaria e defendeu com toda a garra a sua faculdade. Foram bons momentos (a minha voz ainda rouca garante bem isso).
Contudo pertenço também a uma geração que durante as noites da queima apresenta a sua face mais vergonhosa. Antes dos concertos, ainda no inicio da noite, já se contam os jovens que caem de bêbedos pelo chão empoeirado do queimodromo. Amigos e conhecidos a comportarem-se de forma vergonhosa quase sem forças para se aguentarem em pé! É uma geração que abusa do alcool, das drogas... faz da vida nortuna uma forma de se apagarem enquanto caminham... perdem a noção do que fazem mas também de quem são. Orgulham-se das vezes que tiveram de ir tomars soro para a barraca do inem e das figuras que já nem se lembram terem feito.
Já não chega ficarem "alegres" do efeito de alguns shots, perderem a timidez e dizerem umas parvoices... agora é quase necessario chegar ao limite e lutar lado a lado com a possobilidade de um coma alcoolico ou de atitudes muito repreensivas que arrastam consigo muitas pessoas...

O espirito académico não está lá, nao se enganem... está na serenata no momento em que os padrinhos no traçam a capa pela primeira vez... está na imposição das insignias quando com todo o orgulho colocamos as capas no chão e cantamos em nome dos nossos finalistas... está no cortejo onde com a voz cantamos o orgulho de pertencermos a uma familia.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Nova pele



Não me aflige a sensação do medo de perder.
Tenho medo da sensação de já ter perdido.

Tenho um ódio aos sentimentos e atitudes irracionais... Movidos por qualquer coisa que parece sempre bem escondida, com vergonha em mim... Sou eu numa pele nova... numa pele gasta de se odiar e arrancar a si mesma. Entro num estado de melancolia em que o que vejo, depois de repetido sistematicamente à minha frente, adquire porporções inimaginaveis... irreais.
Eu sei da verdade que está à minha frente... É concreta... Apenas neste momento nao acredito nela.

Chame-lhe o que chamar... ciumes... medo... desespero... odio... melancolia... não é saudável e nao sou eu.

terça-feira, 17 de abril de 2007




"Prendo-te o olhar à escuridão
o meu sorriso é a ultima coisa que vês.
Estás vendado a tudo
estás aberto a mim.

Sorris falando de desigualdade...
Desigualdade?
Tenho os olhos bem abertos... Estão vendados os mundo, estou amarrada a ti"

quinta-feira, 15 de março de 2007



Aguardo-te aqui, sozinha,
Esperando alguém que não regressa
Tens nos lábios presa a promessa
De uma vida escrita à pressa
De uma solidão que não é minha

E o beijo que nunca te dei
Escondo-o nas minhas mãos
Aperto-o mais um pouco para que o sinta
Quando lhe pergunto: “Ainda o quero?”
Só desejo que me minta.


Quando me vires morrer não chores… Sorri
Não procures as minhas asas pois não as vou ter
Não tenhas pena de mim mas perdoa-me
De qualquer pecado que não cometer.
Se olhas para mim e vês dor
Afasta o olhar para a minha alma
Para veres a paz que te acalma
E adormeceres ao meu lado!
Quando abrires as tuas asas
Não tenhas medo que sejam negras
Não me expliques para onde me levas
Desde que me leves contigo.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Há lugares...




... que nos falam aos ouvidos. Sussurram.nos segredos sobre nós.

Este, grita-me bem alto... Aperta-me o peito e faz-me sentir vida.
Faz-me crer que não sei nada sobre mim a não ser que estou ali.

Faço parte deste Douro, destas margens, desta paisagem, da luz.
Sempre que aqui estou sinto-me leve.


"Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende ate ao mar

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, são-joanina
erigida sobre um monte
no meio da neblina.

Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.

E esse teu ar grave e sério
num rosto de cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria

[refrão]
Ver-te assim abandonado
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento

E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa"

Porto Sentido - Carlo Tê, Rui Veloso

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Sinto-me...








... um pouco possessiva!


( Não sou ciumenta!!!! Mas hoje queria só para mim :) )

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Assim até dá vontade...



... de passar mais tempo na cozinha!

( O lugar das mulheres só é na cozinha... se cozinhar for sempre assim! :p )

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Sinto que tenho...




... o diabo no corpo!

( E sabe tãooooooooo bem :p )

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007



"devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgávamos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim."


Explicação da Eternidade - José Luís Peixoto


Being bad, never felt so good!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

A culpa não é minha...



... é das estrelas!!!!


Mulher de Carneiro:

Pode parecer que não gosta de homens devido à sua independência extrema. Contudo, nada poderia estar mais longe da verdade. É dominadora e tem uma atitude muito indiferente. É energética e uma vez estimulada, será sexualmente agressiva. Gosta de gemer quando faz amor e de certa forma assemelha-se a um animal selvagem no quarto, brincalhona, vibrante e destemida. Gosta de utilizar o seu corpo e é bastante atlética tanto dentro como fora do aspecto sexual. É uma romântica, apaixonada pelo amor. Aceita o amor como um dos pequenos prazeres da vida. É um espírito livre, sempre à procura de um amante, e não de um pai. É uma idealista.
Vai atrás do que quer que pretenda e não aceitará com certeza um não por resposta. Não tem problemas em atrair homens porque está sempre onde as coisas acontecem. Não gere bem o seu dinheiro o que pode constituir um problema para o homem que se apaixonar por si. Mas merece cada cêntimo que custa ao seu amante visto que o pode estimular de formas que mais ninguém pode.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007



"fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre
sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
eu sei exactamente o que é o amor. o amor é saber
que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
o amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte
de nós que não é nossa. o amor é sermos fracos.
o amor é ter medo e querer morrer."


José Luís Peixoto - a criança em ruínas

Porque à dias...



... em que sinto que me falta algo.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

So sweet...



... finally this make some sense!

( Com sobremesas destas... esquecem-se as calorias, as dietas, os diabetes... e tem-se em ideia coisas bem mais... saborosas )

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007



"Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que tua pele ser pele da minha pele"

David Mourão-Ferreira

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007



Nas horas paradas esquecidas
Dadas como perdidas nesse olhar...
Percorro-te em silêncio,
Tudo o que não digo te beija
E sinto nos labios um leve sabor a café e chocolate

(...)

O amargo da tua ausência.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007



"Nós temos cinco sentidos:
são dois pares e meio de asas.

- Como quereis o equilíbrio?"

David Mourão-Ferreira

Disse que ia ser simples, não que ia ser fácil...



O mais simples que posso ser...

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Referendo... Pelo direito de escolher!




Não posso de forma alguma ficar indiferente à polémica sobre a despenalização do aborto! Contra o aborto somos todos... a questão não está sequer aí! Nenhuma mulher vai fazer um aborto sem pensar muito bem no que vai fazer... Não é uma situação fácil de se lidar, não é uma escolha que se toma de cabeça leve! É o corpo da mulher, é o seu futuro que está em causa e também possivelmente o futuro de uma criança, se esta a decidir ter!
Claro que existem métodos contraceptivos, claro que existiam formas de se evitar esta situação, mas como todos nós sabemos as coisas não são tão certas... tão simples!
O aborto clandestino é uma realidade, uma muito triste realidade!!! Quem tem dinheiro pode ir fazê-los a Espanha, quem não tem corre o risto colocando-se nas mão de uma parteira qualquer, ou ela mesmo tentando os métodos que são largamente conhecidos, pondo a sua vida em perigo! Estamos a falar muitas vezes de adolescentes! Vejo crianças a cuidar de crianças, sem qualquer ajuda, sem qualquer apoio!
Por vezes os pais nem têm condições de as criar, quanto mais a um bebé que precisa de muita atenção e cuidado! Ajudas da segurança social???? Todos nós sabemos como funciona... Adopção? Com um sistema que está muito longe de funcionar... Com crianças a morar muitas vezes sem condições... amontoadas em centros pequenos e sem conheceram uma familia fixa...
Vamos penalizar o erro de duas pessoas, obrigando a mãe a ter a criança? Porque razão terá ela de aguentar com as culpas e as consequencias desse erro?
Um novo ser, um bébé, uma criança precisa de carinho, amor, atenção!!! Precisa que cuidem dela, precisa de ser amada, educada... E isso nunca poderemos obrigar ninguem a fazer!
Quem está pronto para amar uma criança, quem tem condições psicologicas para isso, não aborta hoje nem abortará amanhã! E nova lei que se quer criar não vai aumentar os casos mulheres que querem abortar, vai apenas permitir-lhes essa opção, oferecer-lhe as condições!!!
Eu conheço a realidade, conheço inumeros casos de mulheres que se sujeitaram a um aborto clandestino... Assim como conheço pessoas que nunca seriam capazes de o fazer, independentemente da idade em que engravidam ou das condições económicas...
O aborto é permitido actualemente em casos de violação e de deficiencia! Os outros casos não são permitidos porque segundo a lei já são seres e são vida! E então crianças com deficiencia são o quê? São menos menos vida? Ou já se perdoa aos pais o facto de não terem possibilidades quer económicas quer psicologicas para os criar? E os casos de violação? Está-se a condenar a vida de uma criança pelos crimes do pai? Ou nesse caso já se olha para ele de uma forma cientifica e não se está disposto a sacrificar a saúde psiquica da mulher?
É verdade sim que existe um vazio cientifico sobre o assunto... Não se sabe ao certo quando um feto se torna alguém... Mas sem dúvida que o limite das 10 semanas não parece absurdo cientificamente.. É a partir daí que o sistema nervoso central se começa a formar... É ainda muito cedo para se poder chamar de criança... É ainda muito antes de qualquer coisa...
Ninguem compara um aborto a uma morte por maus tratos de uma criança... Porque todos temos a perfeita noção que é completamente diferente...

Eu gostaria muito que a realidade fosse diferente! Que não aparecessem raparigas de 14/15 anos grávidas e sem condições para cuidar de uma criança... Que todas as mães amassem os seus filhos, tivessem condições para os criar, os educar... Que em casos em que a adopção é necessária que o sistema funcionasse e encontrassem logo uma familia disposta a amar um novo ser... Mas a realidade está muito longe de ser essa e não vamos apontar o dedo a quem já sofre com a sua decisão e que tem de lidar com ela toda uma vida! Ao menos demo-lhes as condições!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Porque às vezes simplesmente....



... Apetece.

Escolho os meus próprios caminhos...


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí."

Cantico Negro, José Régio