quinta-feira, 15 de março de 2007



Aguardo-te aqui, sozinha,
Esperando alguém que não regressa
Tens nos lábios presa a promessa
De uma vida escrita à pressa
De uma solidão que não é minha

E o beijo que nunca te dei
Escondo-o nas minhas mãos
Aperto-o mais um pouco para que o sinta
Quando lhe pergunto: “Ainda o quero?”
Só desejo que me minta.


Quando me vires morrer não chores… Sorri
Não procures as minhas asas pois não as vou ter
Não tenhas pena de mim mas perdoa-me
De qualquer pecado que não cometer.
Se olhas para mim e vês dor
Afasta o olhar para a minha alma
Para veres a paz que te acalma
E adormeceres ao meu lado!
Quando abrires as tuas asas
Não tenhas medo que sejam negras
Não me expliques para onde me levas
Desde que me leves contigo.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Há lugares...




... que nos falam aos ouvidos. Sussurram.nos segredos sobre nós.

Este, grita-me bem alto... Aperta-me o peito e faz-me sentir vida.
Faz-me crer que não sei nada sobre mim a não ser que estou ali.

Faço parte deste Douro, destas margens, desta paisagem, da luz.
Sempre que aqui estou sinto-me leve.


"Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do Pilar
vê um velho casario
que se estende ate ao mar

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, são-joanina
erigida sobre um monte
no meio da neblina.

Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.

E esse teu ar grave e sério
num rosto de cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria

[refrão]
Ver-te assim abandonado
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento

E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa"

Porto Sentido - Carlo Tê, Rui Veloso